A azoospermia é um fator importante de infertilidade masculina. Não é um termo muito conhecido pelas pessoas em geral, assim como não é possível identificar essa alteração apenas com a observação de sintomas. Somente um exame de espermograma pode revelar se um homem é azoospérmico.
Embora algumas pessoas ainda pensem que a dificuldade de engravidar é um problema da mulher, a verdade é que a infertilidade conjugal também poder ser causada por fatores masculinos. Diante dessa confirmação, pode ser necessário contar com avaliação e indicação de procedimentos específicos.
Há várias técnicas e procedimentos realizados na reprodução assistida com o objetivo de contornar a azoospermia e ajudar o homem que tem essa alteração em seu objetivo de se tornar pai.
Confira, neste post, o que é azoospermia, a relação com a infertilidade masculina e o que fazer diante desse diagnóstico!
O que é azoospermia?
A ausência de espermatozoides no fluído ejaculado, isto é, no sêmen, é chamada de azoospermia. Pode ser classificada como obstrutiva ou não obstrutiva, de acordo com a causa.
Para o homem, não é possível identificar a azoospermia sem realizar uma análise seminal microscópica. Isso porque o homem azoospérmico pode apresentar um volume normal de sêmen, além de não ter alterações na função erétil e no desempenho sexual.
Outros sintomas, como dores nos genitais, também não são causados pela azoospermia em si, mas podem ter associação com doenças subjacentes que estejam afetando a produção ou o transporte dos espermatozoides.
Entenda melhor o que diferencia os dois tipos de azoospermia!
Azoospermia obstrutiva
Nessa condição, não há prejuízos na espermatogênese, ou seja, o homem produz espermatozoides normalmente. Entretanto, devido a alguma obstrução no sistema de ductos do trato reprodutivo, os gametas não chegam ao líquido seminal.
Entre as causas da azoospermia obstrutiva, estão os processos inflamatórios (uretrite, orquite, epididimite e prostatite), muitas vezes causados por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A inflamação pode levar à formação de tecido cicatricial que bloqueia a passagem dos espermatozoides.
Outras causas são: ausência congênita dos vasos deferentes; vasectomia; outras cirurgias prévias no trato genital que possam ter causado danos teciduais e formação de aderências.
Azoospermia não obstrutiva
Ao contrário da condição anterior, que não afeta a espermatogênese e é causada por fatores pós-testiculares, a azoospermia não obstrutiva tem relação com falhas na produção dos espermatozoides e resulta de alterações testiculares e pré-testiculares.
As causas pré-testiculares incluem os desequilíbrios hormonais, que podem decorrer de doenças endócrinas e distúrbios no eixo hipotálamo-hipófise. Essas duas glândulas situadas no cérebro trabalham na liberação dos hormônios FSH e LH (gonadotrofinas), que estimulam o funcionamento dos testículos, portanto, têm papel essencial na produção dos espermatozoides.
Diabetes, obesidade, hipotireoidismo, hiperprolactinemia, tumores hipofisários e até fatores do estilo de vida, como estresse constante e prática excessiva de exercícios físicos, são exemplos das causas pré-testiculares de azoospermia não obstrutiva.
Nos testículos, ocorre a produção de testosterona, hormônio necessário para a espermatogênese, a manutenção das características masculinas, a libido e a potência sexual. Problemas nesses órgãos podem prejudicar a produção ou a qualidade dos espermatozoides.
Entre as causas testiculares de azoospermia não obstrutiva, estão: varicocele; criptorquidia; atrofia testicular; exposição a altas temperaturas, radiação e metais pesados; entre outras condições.
Qual é a relação com a infertilidade masculina?
A relação entre azoospermia e infertilidade masculina é clara: se não há espermatozoides no fluído ejaculado, eles não entram no trato reprodutivo da mulher. Sem espermatozoides, não é possível a fecundação do óvulo acontecer.
Para entender isso melhor, é importante saber qual é o trajeto dos gametas masculinos, desde sua produção até o local da fertilização: os espermatozoides são produzidos nos testículos, ficam armazenados e amadurecem nos epidídimos, passam pelos vasos deferentes, unem-se aos líquidos da próstata e das vesículas seminais e são lançados para fora do corpo do homem com a ejaculação.
Ao entrar no corpo da mulher, os espermatozoides migram do fundo da vagina para o trato reprodutivo superior. Eles passam pelo colo uterino e o corpo do útero e entram nas tubas uterinas. Dentro de uma das tubas, um óvulo poderá estar disponível para a fecundação.
O que fazer quando os exames revelam azoospermia?
Primeiramente, o homem é indicado a prosseguir com a investigação das causas da azoospermia com outros exames: ultrassom da bolsa escrotal, dosagens hormonais e ressonância magnética.
Ao diagnosticar as causas e o tipo de azoospermia, a conduta pode envolver tratamentos convencionais, com medicação ou cirurgia.
Na área de reprodução assistida, as técnicas para superar a azoospermia incluem fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), precedida por procedimentos de recuperação espermática.
PESA, MESA, TESE e Micro-TESE são os procedimentos utilizados para recuperar os espermatozoides nos epidídimos ou testículos, quando não é possível obtê-los na amostra do ejaculado.
Se a coleta dos gametas por recuperação espermática não for uma possibilidade — por exemplo, quando não há produção de espermatozoides —, o casal pode ainda optar pela doação de sêmen para engravidar. Essa prática tem sido muito comum atualmente e tem ajudado na formação de novas famílias.
Saiba mais com a leitura do texto sobre azoospermia e outras condições seminais!